PAULO SÉRGIO PINTO CONTA SUA HISTÓRIA

27 JUN 2017
27 de Junho de 2017
A TRAJETÓRIA QUE O LEVOU ATÉ A VICE-PRESIDÊNCIA 
DA REDE PAMPA DE COMUNICAÇÃO


Paulo Sérgio Pinto, 56  anos, natural Cachoeira do Sul,  residente de Porto Alegre, é engenheiro e empresário . Atualmente, está a frente da vice-presidência da Rede Pampa de Comunicação. Em entrevista exclusiva ao Jornal Velha Capital, Paulo falou um pouco sobre sua infância até os dias de hoje. Nos contou, por exemplo, que chama sua cidade natal, carinhosamente, de Principado de Cachoeira.

1. Trajetória de vida: Fale um pouco sobre sua História.

Paulo: Considero minha vida como uma verdadeira maratona com barreiras. As razões estão no concerto de minha caminhada. Começa na minha Cachoeira do Sul que, carinhosamente, chamo de Principado de Cachoeira, onde nasci e de onde, muito cedo, aos dois anos, vi meu pai, ainda muito jovem, aos 32 anos partir para a eternidade. Minha mãe, viúva aos 28 anos, ficou com dois filhos, meu irmão com 11 anos e a criança que eu fui, que tão cedo enfrentava a primeira barreira. Porém, para quem busca vencer tem que, obrigatoriamente, superar todas elas para lá na frente dizer: “eu cheguei” ou talvez “eu venci”. Vencer uma ou algumas barreiras, significa dizer que és um vencedor momentâneo, até porque a linha de chegada significa literalmente o final de uma trajetória de vida que será considerada vitoriosa ou não.


2. Como iniciou no cargo de vice-presidente da Rede Pampa de Comunicação?

Paulo: Depois de 16 anos de atuação na Rádio e Tv Guaíba e 13 anos no Correio do Povo, o proprietário e presidente da Rede Pampa de Comunicação, Otavio Gadret convidou-me para assumir a vice-presidência do seu grupo de comunicação. Foram tratativas que duraram dois meses, até que no início de 1999, assumi as funções na nova empresa e acumulando com as de comunicador e apresentador.
Estava ali, mais um desafio, o de estar ao lado do Presidente para transformar a Rádio Pampa em uma emissora jornalística e lançar o jornal O Sul, o primeiro inteiramente colorido da América do Sul. Este passo era extremamente audacioso e corajoso que nos fazia deparar com uma crise terrível e que era, nos meios comunicação social, demissionária. Enfrentamos e vencemos, O Sul foi para o mercado em 02 de julho de 2001 e mais tarde adequando as necessidades destes tempos modernos, pioneiramente para os gaúchos, somar esforços no sentido de transformá-lo em um jornal inteiramente digital e também levando ao mercado o seu portal.

3. A Pampa é a segunda rede em termos de números de emissoras. E em termos de audiência? Quando pretende chegar a liderança, no rádio, jornal e TV?

Paulo: A Rede Pampa possuí o jornal O Sul em pdf e O Sul.com.br (portal), 19 emissoras de rádio, 4 canais geradores e 106 retransmissoras de televisão. É o maior grupo de emissoras em FM no Rio Grande Sul, detendo a liderança em vários segmentos com rádios como a 104, Eldorado, Continental, Liberdade, Princesa, Caiçara FM e com o maior número de emissoras no litoral como a Rede Praia e suas 4 emissoras mais as rádios Tramandaí FM, Imbé, Xangri-lá e Capão da Canoa, além daquelas de amplitude modulada, Caiçara, Pampa e 104. 
É um complexo que, no contexto geral em termos de número de emissora e diversidade de conteúdo dirigido aos mais diferentes públicos, nos confere a mais ampla audiência em entre todos os grupos de comunicação do Estado.
A Tv Pampa é uma televisão aberta com a maior programação com produção local. O conteúdo gerado de Porto Alegre somado aos produzidos pela Tv Pampa Centro, Norte e Sul são espaços destinados ao debate, opinião e informação, quase que na totalidade, vinculados com os assuntos locais e nacionais.

4. Qual o maior diferencial do jornal O Sul?

Paulo: O Sul foi o pioneiro no full color na América Latina e também no Rio Grande do Sul, na digitalização completa de jornal. Oferecemos conteúdo jornalístico para o mundo inteiro. Os resultados de acessos, apesar da ainda curta existência nos caminhos da Web, são altamente positivos e incentivadores. Para o nosso usuário, o grande diferencial de O Sul é o acesso sem qualquer custo por onde quer que ele esteja. 
Outros ingredientes conferem ao jornal O Sul o atendimento a uma demanda mundial, onde se debatia a existência dos jornais impressos, onde a circulação dos jornais em papel caiam assustadoramente. Ademais, os assinantes de revistas e jornais migravam, em grande número, para a leitura digital e disponibilizada cada vez em maior número.
Devemos considerar ainda, a contribuição ambiental que nossa empresa leva a sociedade, pois a internet indiscutivelmente é um avanço tecnológico e de sustentabilidade relacionada ao que tinha com a utilização de tinta, papel e outros insumos. 
Do ponto de vista econômico, constatamos um aumento desenfreado nas commoties e que afetavam o preço do insumo mais utilizado em um jornal, o papel. Era a desvalorização do real frente ao dólar. Agregavam decisivamente a isto, os valores de energia e combustível que chegavam as nuvens, afetando a industrialização e a logística.


5. E a comunicação? Qual a importância na sua vida? E cite um jornalista que você admira, nome e justifique.

Paulo: A comunicação em minha vida é como o ar que respiro, sem ela viverei com aparelhos. Porém, não podemos esquecer que não somos resultados somente de nossa atuação, maneira de agir e competência. A nossa frente está o veículo para o qual prestamos serviços profissionais, disponibilizando seus espaços. Ninguém é mais forte que o meio que leva nossa voz, nossa imagem e nosso texto à sociedade. Não existem insubstituíveis, existem inesquecíveis. 
Não tenho apenas um jornalista que admire ou tenha admirado, existem muitos e alguns até já se foram. O Rio Grande do Sul é pródigo em grandes figuras do jornalismo e exportou muitos deles e outros prefeririam ficar por aqui. Sempre tivemos verdadeiros gigantes no jornalismo gaúcho e que deram enorme contribuição para a mídia brasileira e que são ídolos para várias gerações.
Para lembrar apenas minha terra, ela produziu profissionais de grande envergadura como Edgar Schimdt, um grande repórter e comentarista de tantas copas do mundo e coberturas internacionais e um dos meus mentores no rádio, Laerte de Franceschi, Adroaldo Streck, Antônio Carlos Porto, Jaime Eduardo Machado e Alexandre Garcia.

Da terra do nosso jornal Velha Capital, Viamão, cito Rogério Mendelski, um jornalista que foi e é uma referência para várias gerações. Um ícone que representa com qualidade a independência, a liberdade de expressão e a coragem no jornalismo brasileiro.

6. Fale um pouco sobre sua época frente ao Unibanco.

Paulo: Definiria o Unibanco com uma escola. Lá estavam todos os ingredientes de profissionalismo tais como: disciplina, respeito, hierarquia, meritocracia e desenvolvimento profissional. O RH, no Unibanco, sempre foi entendido não como recursos humanos, mas como respeito humano, o que ampliava o ambiente de harmonia, de coleguismo e o processo de união resultando na performance de cada agência, departamento e para o banco como um todo. Fui muito feliz lá, onde deixei inúmeros amigos e onde ganhei muitos ensinamentos. Se pudesse dar um conselho a alguém, independente do objetivo, trabalhem, mesmo que por pouco tempo, numa grande empresa para alicerçar a vida futura.

7. Crise econômica e altos juros bancários. Dê sua opinião sobre este tema.

Paulo: A crise econômica decorre do atrelamento do privado com o público. O público amordaça o privado e o privado torna-se dependente do público e tudo vale para que as benesses do público favoreçam os “amigos do rei”.
Somos dependente de uma regulação extremada e de um processo legal que estabelece amarras em tudo que existir, sejamos pessoas físicas ou jurídicas. 
Se dependêssemos somente de leis justas, morais e éticas tudo bem, mas dependemos ainda da decisão do burocrata. O burocrata tem, até aqui, a palavra final e, em sua maioria, dá um não com uma satisfação “orgásmica”.  Quando se pede uma licença do gênero que for, estamos na mão da lei e sua interpretação pelo funcionário de plantão e diante do não o empresário comete “o crime” de recorrer ao chefe hierárquico ou político ou, humilhado, pede ao senhor do deus e do trovão uma solução ou ainda ruma para o processo judicial em um pais judicializado e anos para recorrer. Neste contexto, vem a corrupção, no entendimento que tudo pode ser agilizado e trazer benefícios, até nas licitações públicas.
A economia não flui, e sim emperra, somado aos temores da justiça do trabalho e da fiscalização retraem cada vez mais o mercado.
Com um número menor de empresa vem o desemprego e a recessão. Não se compra e, logo, não se vende, não se produz e não se emprega. É o triste cenário da recessão.
Incompressível a política de juros para o uso do público. A raiz está em uma política administrada de taxa básica de juros, nos impostos deles decorrente e que avolumam a arrecadação do governo e na tentativa, errônea, de conter o crédito e que age no consumo e logo na inflação.


8. Como lidas com as críticas e reconhecimentos que recebe?

Paulo: Sou pelas liberdades e assim suscetível a crítica de ouvintes e telespectadores. Normalmente, leio no ar as posições que recebo contrárias ao que penso, desde que não invadam a minha privacidade e que se tornem a mim ofensivas e danosa à moral e aos bons costumes.


9. Dê a sua opinião sobre: O que te encoraja e o que te desanima no Brasil. E qual é o seu maior sonho de consumo.

Paulo: O que encoraja no Brasil é o potencial que o Grande Arquiteto do Universo nos legou, solo, ar e água com incomensuráveis riquezas minerais, florestais e aquáticas e livres de catástrofes naturais. 

O que me desamina são as catástrofes produzidas pelo homem como nosso maremoto, o de Mariana, como nossa guerra devastadora no dia a dia nas ruas e no campo exterminando com milhares de pessoas pela violência, como pandemias de miséria assolando toda a saúde por falta de assistência e matando cada vez mais brasileiros, como os grandes assaltos ao dinheiro público. O homem como predador do próprio homem. Diz a Constituição do Brasil, que o poder emana do povo e é verdadeiro, pois aí está o resultado de nossas eleições.

10. O que o futebol representa para o senhor. Como começou na arbitragem?

Depende de como olhar o futebol, jogando, treinando, dirigindo, apitando, irradiando ou torcendo.
Jogando: Não existe nada mais prazeroso, tenciona no jogo e distenciona a vida. Sendo profissional, ainda se faz tudo isto ganhando pouco ou muito mas ganhando e sobrevivem os melhores e com melhor sorte. 
Treinando: Avalio quase que da mesma forma que o atleta, porém com o pescoço e o futuro profissional sem guilhotina.
Dirigindo: Conheci grandes dirigentes, líderes, dedicados e verdadeiros sacerdotes da causa do clube do coração. Porém, tenho conhecido outros de instinto e natureza duvidosa, aqueles que sempre têm um objetivo pessoal não ético e muitas vezes não moral. Nada contra o verdadeiro líder eficaz e correto que, por assim ser, é convocado pelo seu público a tornar-se político.
Apitando: Posso falar de cátedra, pois apitei por 9 longos anos e posso afirmar que o futebol somente me trouxe amizades e reconhecimento. Até hoje, lembro de 30 anos passados. Mas, apitar significa exercitar o gosto pelo futebol, a coragem, a liderança e praticar algo que parece ter virado qualidade, a honestidade. Erram na certeza que acertaram, porém, frios, devem saber entender quando erram e porque erram.
Irradiando: Claro que estou me referindo aos colegas de imprensa e que começam a profissão de radialista ou jornalista esportivo por amor ao futebol. São devotados e apaixonados pela informação, pela opinião e pela narração. Abdicam de algo sagrado, que é o domingo, e passam uma vida no gostoso trajeto, tenha ele o tamanho que tiver, do estádio para casa, da casa para o seu veículo de comunicação. Incompreendidos as vezes, porém sempre considerados e debatidos. Ganham fama por competência e coragem, e como tal, tem muitas alegrias e muitos dissabores, na árdua tarefa de agradar as suas próprias consciências, independente de pressões ou afagos.

11. Fomos informados que o senhor participava aos sábados no Campeonato de Futebol entre associados do Cantegril Clube de Viamão. Faça um comentário.

Paulo: Tive a honra de ser vice-presidente social do Cantegril Clube e com ela a saudade do Cantegril do meu tempo. Como eram agradáveis as tardes de sábado e do futebol competição que lá disputávamos envergando jaquetas do Vasco, Flamengo, Botafogo, América, Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, Atlético ou Cruzeiro. No nosso imaginário campeonato brasileiro, valia qualquer clube, menos Grêmio ou Internacional.

Como eram lindos os domingos de churrasco a sombra das árvores frondosas que ornamentavam sua imensa área. Saudades da piscinas, de seu trampolim, e de sua plataforma. Saudades da hípica e do tênis. Saudades dos tempos dos bailes de outrora, do Dejuca, dos jantares de casais e dos bailes de debutantes. 

Saudades dos meus amigos de então. Saudades doa tempos que não voltam mais!


12. Uma mensagem que queira transmitir?

Paulo: O mundo que já foi dos experientes e dos sábios, hoje é também dos ágeis e revolucionários. Existe a permanente necessidade de modernizar e isto tenta fazer a Rede Pampa ao longo do tempo, em nossas emissoras de rádio e, recentemente, com o amplo sucesso com a criação Rádio Grenal. E, estou tendo a felicidade de vivenciar este momento, colocando-nos enquanto Grupo de Comunicação, uma vez mais, na vanguarda do mercado, tal qual vivemos no próprio O Sul, pioneiro no full color em todas as páginas, caderno de colunistas, valorização das reportagens fotográficas e tantas outras de perceptível realce. 
Hoje, além da mudança central de transposição para a internet, estamos disponibilizando, pelos mesmos canais, as possibilidades de impressão do jornal na íntegra, o arquivamento pessoal, além da consulta e impressão de edições anteriores.

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