BRÁULIO: O ETERNO GAROTO DE OURO DO SPORT CLUB INTERNACIONAL

18 JUN 2017
18 de Junho de 2017
A HISTÓRIA DO MENINO QUE SE TORNOU UM DOS MAIORES ÍDOLOS DO INTER DE PORTO ALEGRE E QUE ATÉ HOJE TRABALHA COM FUTEBOL


Bráulio Barbosa de Lima (Garoto de Ouro), 67  anos, natural de Porto Alegre, filho de Therezinha Barbosa de Lima e Anair Serres de Lima, e atualmente pai de três filhos e três netos colorados. Começou no futebol ainda muito novo e até hoje ainda trabalha na área esportiva. O famoso Garoto de Ouro do Internacional de Porto Alegre é, atualmente, assessor da presidência na Federação Gaúcha de Futebol (FGF) e nota a grande diferença da sua época para cá.
Bráulio se diz colorado de corpo e alma, mas sua cor favorita é azul, e em entrevista exclusiva ao Jornal Velha Capital,ele confessou que foi a segunda cor que mais lhe deu sorte, aos risos mencionou o rival Grêmio. Mais sobre a conversa que tivemos com o eterno "Garoto de Ouro":

1) Por que o apelido Garoto de Ouro?

Bráulio:  Aconteceu no amistoso entre Inter e Cruzeiro. O time de Minas Gerais era espetacular, Raul Plassman, Dirceu Lopes, Zé Carlos, Piazza, Tostão e Natal. Todos eles testemunharam um gol antológico. Aos 16 anos, recebi a bola de Élton, e de costas dei um chapéu em William. Sem deixar a bola cair desferi um chute e decretei:  Internacional 3 a 1. Lembro que nesse momento, todos invadiram o campo. Na época, eram usadas cadeiras de palha e as pessoas se levantaram para me abraçar. O jogo ficou parado por 20 ou 30 minutos. Nessa narração, Jorge Alberto Mendes Ribeiro, que transmitia a partida pela Gaúcha, me apelidou de Garoto de Ouro e assim ficou para o resto da vida.

2) De onde veio o gosto pelo futebol?
Bráulio: Desde uns 6 anos eu já pegava a bola e jogava futebol. Nunca brinquei de carrinho, era só bola e bola. Com 8 anos, devido a questões financeiras, nós éramos entre quatro irmãos e também pela perda do pai, a mãe acabou nos colocando em um internato em Taquari e lá eu acabei pegando sempre a bola adquirindo mais e mais habilidade. 
Sobre a paixão pelo futebol...
Bráulio: Lembro que na época em que estudava no Rui Barbosa, matava as aulas, já que estava sempre muito bem nos estudos, para assistir o Larry Pinto Faria treinar chutes a gol. E tinha certeza de que um dia eu seria sucesso igual ao Larry.
Mas tudo começou mesmo quando entrei para a categoria de base do Internacional em 1963. 


3) Qual Seu time do coração? 
Bráulio: Com certeza, sempre será o Sport Club Internacional sem dúvida alguma.

4) Para qual time você mais gostou de jogar?
Bráulio: Mais uma vez, a resposta é o Inter com toda certeza.

5) Amizades coloradas.Quais ficaram?
Bráulio: A pessoa mais chegava a mim ainda é o Dorinho, nos criamos juntos no Inter, e até hoje somos amigos. Tem ainda o Jorge Andrade (amigo do peito, mas acabou de falecer), o Lua (mora no Paraná, mas uma vez por ano nos vemos), além do Pontes, Sadí, , Carpegiane, Valdomiro. 
6) O que representa o Internacional para você?
Bráulio: Representa o começo de tudo, pois foram eles que me deram a oportunidade de mostrar meu futebol, porém, também me devem muito por ter lhes dado um craque, até porque foram 10 anos, 400 jogos, 8 títulos e naquela época era difícil um jogador ficar em um time por tanto tempo. Um elo, cordão umbilical. Inter e Bráulio / Bráulio e Inter.

7) Qual gol que nunca esquecerá?
Bráulio: Com certeza o que fiz contra o Cruzeiro de Minas em 1966 e que originou o meu apelido  "Garoto de Ouro". Lembro até hoje!

8) No cenário atual, acredita que há garotos de ouro? Quem em especial?
Bráulio: No Brasil, não há garotos de ouro atualmente, mas Ronaldinho Gaúcho acredito que tenha sido e atualmente Neymar, mas esse já não contamos mais nos clubes brasileiros. Em relação aos estrangeiros, podemos ver craques como Messi e Iniesta.

9) Quase finalizando: Quais dicas daria para a garotada que está no começo da carreira, como nas escolinhas de futebol, nas categorias de base dos clubes?
Bráulio: O principal é ter foco e dedicação. Estude, treine, pois o mundo do futebol é uma incógnita e sempre devemos nos concentrar naquilo que realmente pode-se ter resultados. E outra coisa muito importante, é não ter vícios, ou seja, ser ciente de que toda conquista é uma questão de esforço.
Sempre fui muito profissional, tanto que encerrei minha carreira aos 32 anos sem nenhuma lesão, e digo isso com todo orgulho do mundo. 
Hoje em dia ganham muito dinheiro e acredito que deveria haver também um acompanhamento profissional dessa gurizada para que os mesmos possam desfrutar do real futebol. 
Hoje em dia, tudo está muito mais fácil, até porque nosso time, por exemplo, era muito bom e com certeza muitos de nós estariam ganhando muito dinheiro na Europa. A falta de empresários nos anos 60,70 com certeza fez com que o mundo não conhecesse grandes craques. 
Então garotada, aproveitem as facilidades da atualidade com consciência e profissionalismo.


10) Uma curiosidade nunca dita antes?
Bráulio: Hoje em dia ser craque é a "sensação", porém, antigamente nem todos viam com esses olhos. Antes de eu sair do Internacional, passei por situações bem complicadas, sendo  que muitos da direção do clube não gostavam de "craques" e eu como um deles, acabava sendo prejudicado. Não queriam futebol arte, queriam arte, viviam em um mundo político. Aguentei até muito, mas coloquei em mente que ia levar até o meu máximo. Depois de uns 2 anos, fui para o Rio de Janeiro jogar pelo América.

No mais, obrigada Jornal Velha Capital pela entrevista!

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